In a specific place

Luísa Especial, 2010

 

By developing an interest in a specific place in the course of a walk, in this exhibition Em_Passo, Pedro Vaz proposes the observation of the unfolding process and the resulting consequences from this specific place, related to the works presented.

In these paintings on wood, the same landscape appears again and again. Such suggestions result from the restricted selection of the photographically captured images and the exercise of the painting practice, revealing the restlessness of the gaze.

This landscape, is revised in each work as a sequence of self-portraits: if the object captured is identical, the setting changes, as well as the importance given to the background and the emphasis attributed to each element.

From the compositional structure only a few nebulous characteristics allow identification. The drawing is shown in the dynamic lines that organize the space and the repetition of a center of intersections is revealed, by means of which the divergences on the place are assumed.

Tensions between drawing and painting. Observed and reconstructed image. Such variations between the exhibited works are still a result of the different usage of the scale and the color. In addition to the body of work of painting, a, a group of three-dimensional pieces that the artist has been working on since 2005, a new version of Caixas de Paisagem is also part of the exhibition. These are constructions made with segments and a selection of landscape parts, which are then subjected to painting. Contrary to previous cube versions, this time nature is not so confined by its pyramidal container architecture: it beacks its limits and offers itself to contemplation.

In these small parietal niches, natural altars, the inclusion of the mirror - the only element alien to the natural world - allows the multiplication of perspectives only from above. Also these works mimic that fragment of the path that occurs in painting, and that here is revelaed more clearly, through the rock formations and the oblique branches. Sculptural buildings, these works somehow synthesize associations to site-specific aspects, such as the mirrored cubes of Robert Morris or Dan Graham's large installations, that dialogue with the surrounding landscape.

It is through the articulation, in this exhibition, between these paintings and the Caixas de Paisagem that Pedro Vaz challenges the understanding of the idea of site specificity. According to this concept, a work is conceived to exist in a specific space. However, in this exhibition, the artist develops two types of paths: the works are made from a specific place, existing in nature and by creating the repetition of a similar framework, the artist cuts the landscape by painting it, in search of its imitation. Which means that it is nature itself that is understood here as site specific. In Caixas de Paisagem, the artist did not construct site-specific works, but a three-dimensional evocation of that specific place, through its elements.

As an author of a continuous pictorial body of work on the landscape, Pedro Vaz inaugurates in this exhibition new paths to continue the conceptualization the ephemeral in Nature. Following the works recently presented at the Quarenta Passos exhibition, at the Centro das Artes e Cultura in Ponte de Sôr, Pedro Vaz now pursues the landscape, immobilized in a specific place, in which he encountered the high tide of a river and in direction to its spring. The artist, faced with a delay that holds him, in a specific place.

 

 

 

Num lugar específico

Luísa Especial, 2010

 

Ao tomar como motivo de interesse um lugar específico explorado no decurso de uma caminhada, na exposição Em_Passo, Pedro Vaz propõe que se observem os desdobramentos e ramificações que derivaram desse lugar fixo para as obras apresentadas.

Nas pinturas sobre madeira, uma mesma paisagem surge repetidas vezes. Tais ressonâncias decorrem da selecção restrita das imagens fotograficamente captadas e do posterior exercício da prática da pintura, revelador da inquietação do olhar sobre a imagem. Essa paisagem sobre a qual se versa a atenção, é, a cada obra, modificada, como uma sequência de auto-retratos: se o objecto captado é idêntico, diferem os enquadramentos, o relevo conferido ao fundo, o destaque atribuído a cada elemento. Da sua estrutura compositiva mantêm-se, por vezes, apenas algumas características mais vagas que permitem a sua identificação. Evidencia-se o desenho, nas linhas motrizes que organizam o espaço e detecta-se a  recorrência de um centro de intersecções, por meio do qual se inferem as divergências sobre o lugar. Impasses entre desenho e pintura, imagem observada e reconstruída, tais variações entre as obras expostas resultam ainda do uso diferenciado da escala e da cor.

Além da pintura, integra a exposição uma nova versão das genericamente intituladas Caixas de paisagem, peças tridimensionais que o artista tem vindo a trabalhar desde 2005. Estas constituem-se como construções detentoras de fracções de paisagem, elaboradas a partir de uma selecção de elementos da paisagem, que são depois submetidos à pintura. Contrariamente às versões cúbicas anteriores, desta vez a Natureza não se encontra tão confinada pela arquitectura do seu contentor piramidal: transborda das suas margens e oferece-se à contemplação. Nestes pequenos nichos parietais, altares naturais, a inclusão do espelho – o único elemento estranho ao mundo natural – não possibilita a multiplicação de perspectivas senão no seu topo. Também as Caixas mimetizam aquele fragmento do percurso que surge na pintura, e que aqui se distingue com maior clareza, através das formações rochosas e dos galhos oblíquos. Edificações esculturais, estas peças sintetizam, de algum modo, heranças site specific como sejam os cubos espelhados de Robert Morris ou as grandes instalações especulares de Dan Graham, dialogantes com a paisagem envolvente.

É através da articulação tecida entre as pinturas e as caixas de paisagem que Pedro Vaz desafia, nesta exposição, o entendimento de site specificity. De acordo com tal conceito, uma obra é pensada para existir num determinado espaço. Na exposição Em_Passo, o artista opera dois tipos de desvios a essa lógica: as obras foram realizadas a partir de um lugar específico, existente na natureza; por meio da repetição de um enquadramento semelhante, o artista recorta a paisagem ao pintá-la, em busca da sua imitação. O que significa que é a própria natureza que é aqui entendida como site specific. Já nas caixas de paisagem, o artista não construiu obras site specific, mas uma evocação tridimensional daquele lugar específico, através dos seus elementos.

Possuidor de um corpo de trabalho sobretudo pictórico continuado sobre a paisagem, Pedro Vaz inaugura nesta exposição novos trilhos para prosseguir a sua conceptualização acerca da transitoriedade da Natureza. No seguimento das obras recentemente apresentadas na exposição Quarenta Passos, no Centro de Artes e Cultura de Ponte de Sôr, na exposição Em_Passo, Pedro Vaz persegue agora a paisagem, imobilizado num lugar específico com o qual se deparou na subida de um curso de água em direcção à sua nascente. O artista, perante um impasse que o detém, num lugar específico.

 

 

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